DEPOIS
Depois eu te diria sim
Achando que era bom pra mim
E a gente ia rodar o mundo, alma e pé na estrada
Porque a Terra gira e parece parada
E a gente dividia dia e madrugada
Porque quase tudo é igual a quase nada
E a gente dividia medo e gargalhada
Dividia a chuva com a terra molhada
Dividia as horas com o sol e a lua
Dividia a sina
Tanto a que termina
E a que continua…
Depois eu te diria não
Achando bom pro coração
E a gente então se despedia, cada um prum lado
E enquanto eu ia assim maravilhado
Pelo universo ter me convidado
Pra domar cometas de rastro gelado
Pra chegar num céu que não é estrelado
E pegar um par de asas emprestado
Com um anjo velho que já viu de tudo
E que passou as eras
Modelando esferas
Forma e conteúdo
Depois do não, talvez
E era bom mais uma vez
Porque a gente sempre soube que a incerteza
É o que mais parece a nossa natureza
Dividida entre pedra e correnteza
Entre a mesa farta e o chão por mesa
Entre a vaidade em busca de beleza
E a pura verdade feita de estranheza
Porque existem dúvidas que são mais belas
Do que a memória
Da moral da história
De mil Cinderelas
De mil Cinderelas


