Ó Deus dos pobres diabos,
ó Deus dos cães sem donos,
dos caborés e, dos cabos,
dos cabras e dos carbonos.
Ó Deus dos viciados,
ó Deus dos deficientes,
dos doidos e desmamados,
desamados e descrentes.
Me diga se essa sina,
será uma sinagoga?
Ser a minha assassina,
será que me afoga?
Me diga se esse karma,
na carne da minha alma,
será minha arma
ou será meu trauma?
Será que eu vou ser salvo
e ter a vida eterna?
Ou só vou ser mais um alvo?
De quem me desgoverna?
Se eu faturar o troco,
será que eu fecho o bico?
Será que eu acho pouco,
se um dia eu ficar rico?
Será que o meu destino
não tem destinatário?
Eu vou ser inquilino
ou vou ser proletário?
Ó Deus dos sacrifícios,
desculpe o sacrilégio,
se é esse meu ofício,
dispenso o privilégio
Ó Deus dos sacrifícios,
desculpe o sacrilégio,
se é esse meu ofício,
dispenso o privilégio


